"Retalhos de pensamentos que me tiram da obscurosidade das coisas, me jogam no sentido real e na subjetividade de outros, me colocam no anonimato de tudo, e me conduzirão á eternidade..."
(Ednaldo Oliveira)
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
“Quando os amigos se vão o peito
apertado reclama do frio gerado, alma se esconde em suas profundezas mais
escuras e inicia seu processo doloroso de retorno; viaja pelos vales sombrios e
desesperadores, reencontra seus feitos mais vergonhosos, se depara com tantos
desencontros que provocou e se vê diante da grande confidente que sempre
enganou, negou; a eterna presença que nunca a abandonou, a confidente
primitiva, a SOLIDÃO...”
(Ednaldo Oliveira)
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Quando deixamos de ser desconhecidos para nós mesmos
Olhar para frente é questão de convicção e segurança! Quando se tem um
porque lutar na vida, as outras coisas vão passando e você vai se tornando
telespectador das adversidades. O que nós não podemos permitir é que aconteça o
contrário. Isso nunca. Nós não podemos passar pelos problemas, eles devem
passar em nós. Chegar, mostrar o que precisa mostrar e depois partir; nada mais
que isso.
A coisa fica complicada quando nós invertemos a situação. Quando não se
tem para onde ir, qualquer lugar serve, qualquer coisa ocupa o lugar, qualquer
motivo leva a desistência, qualquer fumaça se transforma em chama fumegante e
alarmante. É preciso saber para onde se está indo. Não importa se o caminho vai
se tornando complicado e sangrento a cada passo, importa mesmo é que você se dê
conta do que ainda falta ser percorrido, do que ainda falta ser feito, do que
ainda precisa ser superado.
Tornar-se telespectador das adversidades não é para qualquer um. Existem pessoas que vão se tornando escravas,
vão se deixando levar e conduzir pela loucura de alguns, enraizando suas ações
nos esconderijos sujos e desordenados, encravando suas fraquezas nas
lamentações e desvios dos loucos que nos cercam. É claro, o caminho é bem mais
fácil quando você se deixa manipular; você passa a não ser mais responsável pelas
caídas e descidas que se dá, você passa a somente receber e, sabe que vai
sempre receber (o que quiserem dar). Porém, nesta situação a vida se torna um
mar de nojeiras sem destinos, somente esperando que te levem, que te tragam, te
façam, que te deem, que te mostrem, que te sejam. A vida é bem mais simples. As
coisas são bem mais esperançosas.
Não se deixe reprimir. Não permita que digam o que você deve ou não fazer.
Aceite as coisas que lhe oferecem, aquelas que vêm do coração que chega para
somar em tua existência. Mas, aquelas que vão se chegando devagar e vão como
que tomando o espaço de tua alma, essas você descarta e joga fora. Não permita
que te roubem nada, não permita que avancem onde nem mesmo você teve coragem de
ir por medo do que encontraria, por não ser ainda o tempo certo, por estar
esperando o dia certo de ir, ou até mesmo por respeito a sua intimidade. Não deixe
que te transformem em coisa fútil e fácil de ser manipulada. Ninguém sabe o
quanto você já caminhou para chegar até onde chegou, isso é fato. Não precisamos
de ditadores, precisamos de companheiros, muitas das vezes sem experiência,
iguais a nós; aqueles que vem com a gente no mesmo vendaval da situação. Os invasores
estão á solta, fuja deles.
Entre dentro de você mesmo e procure por você mesmo. Não existe nada mais
desafiador que este percurso. Porque andar por ai nos caminhos dos outros? Porque
andar por ai procurando pelos outros? Porque andar por ai tentando ser os
outros? Porque andar por ai sem saber nada de você mesmo? Afinal de contas, por
onde andar? Por onde você tem andado, por quem você tem esperado? Por onde tem
estado? Esperar é preciso, sim! Mas, não esqueças jamais daquele teu sentimento
de que podes ser reservatório de espera eterna. Esquece o reservatório e te
tornas uma fonte onde as borbulhações constantes se tornem em esperança
concreta para as margens de alguém.
Seja ponte, seja uma fagulha para você
mesmo. Uma simples chamazinha, uma simples faísca geradora de impulso sereno
para teus anseios. Sinta tudo arder dentro de você e ai verás como as coisas vão
aos poucos se tornando bem mais fáceis. Não falamos de coisas motivadoras, bobices
que nunca se concretizam. Falamos de vida, vida real e concreta. As coisas mais
simples da vida chegam ao momento em que nós nos tornamos simples para nós mesmos,
quando nós deixamos de ser pessoas desconhecidas para nós mesmos, quando nós
nos entendemos e somos pessoas melhores, quando deixamos de lado nossas
vergonhas e não temos medo de dizer quem somos.
Quando deixamos de ser pessoas desconhecidas para nós mesmos, as coisas
começam a acontecer dentro de nós e, tudo o que lá fora acontece, não interfere
mais dentro em nós. Pelo contrário, a gente passa a rir das adversidades da
vida, das loucuras da vida e dos loucos que se acham estar na camada privilegiada
que chamamos vida.
Ednaldo
Oliveira, SDB
Recife/PE, 30 de
julho de 2012.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Além do que se vê
Na verdade eu nem sei ao
menos como chegarei ao final daquilo que estou construindo hoje. É complicado,
mas, nem mesmo as coisas que eu mesmo faço e, penso estar criando e projetando,
eu realmente não sei onde vai dar. A nossa mente vai criando e recriando o que
vamos encontrando pelo caminho e vamos, no decorrer da vida, sustentando as
coisas que achamos ser verdadeiras. Na verdade ninguém sabe o que são. Nem nós.
E assim vamos percorrendo
um caminho sombrio que nos coloca no patamar de um saber que nunca se
apresenta, nós nunca o tocamos, ele nunca se torna visível, mas, nós ousamos
achar que sabemos. Nós sempre teremos pensamentos de saberes desconhecidos que
sempre defenderemos ser nosso. É melhor, em toda essa confusão, sentir
ausência. Saberes não existem para serem guardados dentro do travesseiro,
também não existem para serem jogados onde não sabemos se será cabível, mesmo
se este saber é existente.
Não é preciso saber
tanto. Simplesmente quem é. Esta é a questão mais complicada da existência.
Mesmo assim, sem saber para onde vamos e quem somos vamos fazendo de conta e
fazendo acontecer coisas que vão se tornando verdades. Não se sabe para quem
nem muito menos para que, mas, vão se sacralizando e se tornando um perigo
constante.
A procura é e será sempre
nossa saída mais confiável. Parece contraditório mas não o é. Procurar não
significa um período de retrocesso ou paralisação. O procurador é sempre o
privilegiado na legião das coisas crentes. Esse sim saberá que não se sabe nada
a respeito do saber. Sempre se irá mais longe quando não se conseguir entender
nada. Afinal, o nada sempre estará em uma eterna procura por si mesmo e se nós
nos tornarmos, ou ao menos nos aproximarmos deste nada, estaremos ao menos no
processo de iniciação de procura e, quem sabe, entendimento.
Mesmo assim, é sempre
complexo pensar que não nos contentamos com a ideia do nada saber ou ser. Entra
em cena uma ideia de frustração futura em que não se será possível fugir. Quem
chega a essa ideia sabe do que falamos até agora. Ter e perder, ser e não ser,
estar e não ser, parecer e não se contentar, ficar e não permanecer, esperar e
não finalizar.
Ednaldo Oliveira, SDB
Jaboatão Guararapes/PE, 10 de julho de 2012.domingo, 10 de junho de 2012
Enquanto eu amava, a solidão me espionava
O vazio é coisa horrível,
porém real e constante. A vida vai passando e a gente vai esquecendo-se de
tantas coisas e lugares, a gente vai deixando de ir em tantos lugares, vai
deixando de encontrar e reencontrar tantos amigos deixados em tantas esquinas
deslizantes e anexas.
O
pior em tudo isso é quando o objeto do esquecimento somos nós mesmos. Quando
todos aqueles que nós mais precisaríamos naquele instante, naquela hora,
naquele auguro, simplesmente não te quer por perto. A sensação é nojenta. Nós
nos tornamos, para nós mesmos, o ser mais desprezível que se possa existir. O
pior é que as pessoas tem sim o poder de fazer isso com a gente.
Quando
nos mais aleijaríamos estar agarradinhos, nem que fosse somente a um olhar,
somos pelo contrário amassados pela amargura real da vida solitária, nos
descobrimos, ou passamos a nos portar como tal, o ser sem razão ou sem emoção
nenhuma. A vida só não vale a pena. Mas, o mais triste é quando a gente não fez
opção por isso. Quando fizeram a opção por nós é mais doloroso.
Uma
palavra tem um contexto enorme de destruição ou construção constante e elevada.
Eu não suporto estar só. Entrar em contato comigo mesmo é necessário, mas, é
diferente de se sentir desolado. É como
se estivéssemos em um profundo abismo sem volta, sem luz, sem ver, sem retorno,
sem sentido, sem esperança, sem voz, com medo. E, quando em qualquer momento da
vida, se é que ela existe, entra em cena o medo, as coisas tornam-se cada vez
mais complexas pela gravidade do não poder mais avançar pelo medo de estar,
medo de errar, medo do medo.
As
coisas não são tão simples. Não se brinca de ser feliz. Não brinque comigo. Não
me imponhas outra coisa, não me peças outro comportamento, não me peças para
mudar assim tão repentinamente. Nasci assim mesmo e ainda estou em construção.
Nem mesmo eu sei bem onde estou indo nem porque estou indo por aqui. Nos não
somos aquilo que queremos. A vida não é aquilo que planejamos. As coisas não
são como esperamos.
Eu
só tenho isso para te oferecer, é uma pena! Sim, eu queria poder e saber
oferecer mais, porém, eu também não entendo minhas ações. Eu também não sei por
que tenho medo de lhe dizer quem sou. Não é porque não quero que não lhe digo
ou não lhe mostro, é porque não sei mesmo. Não sei. Talvez meu maior medo seja
o medo do medo de me encontrar. Não me fales do que eu deveria ser, aceita meu
mau cheiro insuportável se queres vim comigo pelo caminho mas, por favor, não
me faças caminhar ao teu lado pensando e apostando em alguém que, tão
longamente me deixará, sozinho.
Mas,
que eu saiba me enfrentar. Que eu saiba ficar sozinho com a fera que existe em
mim e que eu aprenda a ficar com o nada que a vida ousa me oferecer. Afinal,
cheguei sem nada...
S Ednaldo Oliveira, SDB
Recife/PE, 08 de junho de 2012.
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