quarta-feira, 20 de julho de 2011

Não tenha medo

Não tenha medo de tentar de novo.
Mesmo que as coisas sejam todas contrárias,
mesmo que não se tenha mais nada para investir,
mesmo que o tempo não esteja mais ao seu lado,
mesmo que nem mesmo você acredite em você.


Não tenha medo de ir contra.
Mesmo que todos estejam indo pelo mesmo lado,
mesmo que você acabe ficando sozinho e mais ninguém tenha ficado ao teu lado.
Mesmo que isso te custe ser taxado por expressões fortes.


Não tenha medo de infligir a regra.
Mesmo que veja muitos por ai em meio a uma ditadura dentro de si mesmo,
não se permitem errar e acabam não alcançando a maturidade que merecem e precisam.
Poucos são protagonistas de sua própria história.


Não tenha medo de tocar alguém.
O toque é a expressão mais significante que se possa dar ou receber.
Ele te faz sair de si e partir para sensações extasiantes.
Não se restrinja deste emocionante momento.
Não tenha medo de sentir.


Não tenha medo de ter medo, eles nos levam a nós mesmos...


n. Ednaldo Oliveira, sdb.
Barbacena/MG, 15 de julho de 2011.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Ilusões

" Uma vez eu tive uma ilusão e não soube o que fazer, não soube o que fazer. E ela se foi. Porque a deixe? Porque a deixei? Não sei, eu só sei que ela se foi..."*


                Se eu conseguisse colocar para fora o aquela força que estava naquele momento, ou ele mudaria meu mundo, ou ele me mudaria. Se aquele fogo tomasse conta de mim por inteiro e eu me deixasse consumir por ele, não sei onde estaria neste momento.
                Porque não percorri aquele caminho de loucura? Porque deixei-me esfriar daquele período impetulante, astucioso que nem mesmo eu entendia? E elas se vão. as ilusões se vão. Não esperam por nós e não retornam as mesmas. São essas as mesmas sensações que impelem revolucionários capazes de mudar muito no que de nada esperariam os outros.
                Se todos estão contra você, ótimo! é umaq boa indicação de que estais no caminho certo. A loucura está em fazer a coisa certa e não permitir-se ser espontaneamente fora do normal que os outros estabelecem.
                 A ilusões nos levam a nós, o caminho; ao contrário do que relatam, é de retorno, de inicio e não de afastamento ou sentido contrário. É diferente de  viver alienados a determinadas coisas. Mas existem coisas que, "só os loucos sabem..." Não deixem suas ilusões fugirem de você. Sugue delas, não vieram por acaso e não esperarão sua leseira descrente. "Ilusões nos fazem viver."


n. Ednaldo Oliveira, sdb.
Barbacena/MG, 15 de junho de 2011.
*(Julieta Veñegas

Angústia duvidosa

" Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio; porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.."*
                                                                                                                                 
Não sei bem se era isso mesmo que eu queria. Tenho tantas dúvidas. Eu quero demais, me perco demais, espero demais. Eu penso demais, eu crio demais.
Isso me coloca em um nível doloroso, vou assim criando ambientes, formando consciência, calculando esperança de um futuro. Ambição de um então. Ferozmente isso me aparece, constantemente eu recebo gritos internos, calores me rompem e me deixam em uma loucura interminável e incontrolável.
Isso tudo vai se tornando procura, desejo, movimento desesperado, anseio de boa nova que remove a loucura de viver na sugestão da solidão por eleição.
É uma verdadeira confusão que se cria na minha cabeça e eu tenho medo de confundir tantas outras cabeças, ah! isso não.
Ao mesmo tempo vou andando nesta linha duvidosa, traiçoeira, incerta; ao mesmo tempo gostosa, inspiradora, "louca tempestade" que não posso largar ou afastar-me dela. eu sou muito pequeno. Bem pequenino, não me sinto pronto para tal percurso. 
E eu assim vou me tornando cada vez mais duvidoso no que quero, no que espero.
Eu tenho dúvidas meu Deus, eu tenho dúvidas...


N. Ednaldo Oliveira, SDB.
Barbacena/MG, 26 de maio de 2011.
* Oswaldo Montenegro)



segunda-feira, 18 de julho de 2011

Escondidinhos

"... onde quentinhos e escondidinhos nos contemplaremos á luz de nossos condenantes, em um insuspeitável lugar."


Eu queria encontrar-te.
Naquele lugarzinho onde ninguém mais pensaria existir, nem mesmo você. Ah! como eu queria.
Conversar e rir, galhofar e pensar, refletir e criticar, se alegrar e abraçar.
Eu me inquieto tanto, eu me perco tanto, me confundo e misturo tudo. Me sinto mal com essa nuvem negra que paira e demora ir embora.
O que eu queria mesmo era te roubar, te raptar e separar de todo o resto, ser egoísta no gesto de guardar.
Um abraço ou um toque, qualquer um me rebaixa ao extremo da dura realidade. Você me tem como referência e não era isso que eu queria. O que eu queria era esse jeito matuto em meus braços, confundindo os nossos corpos e ouvindo batidas não mais intercaladas, mas ajustadas, agora á uma só matéria.
Molhados e suados não mais exigiríamos ou pensaríamos no que nos rodeava, simplesmente olhariamos olho a olho enquanto nossos corpos reagiriam.
Aqui tá tão frio agora e o teu corpo me alegra ao aquecer me pensamento na matéria pensante, sua pele encostando e gastando a beleza do momento, teu cabelo lizo enrolando e massageando a minha face.
Sentimentos escondidos e esquecidos, repreendidos aparecendo alí naquele cubículo infinito onde não existe relógio, não existe tempo nem norma.
Eu tenho medo de te espantar, te afastar, de te perder; esses mesmos também são seus e nós vamos usando sinais, decifrando-os e reenviando-os novamente.
Eu só sei que quero você.


n. Ednaldo Oliveira, sdb.
Barbacena/MG, 26 de abril de 2011.

Encontrar o Amor

"É impossível encontrar o amor sem perder a razão..." *


Esse teu jeito maduro e matuto de falar e se comportar está prestes a me matar.
Essa alegria ao chegar perto, esse sorriso escancarado ao me ver me deixa maluco e eu acabo sofrendo.
Você não imagina como.
Esses sinais, se é que posso chamar seus gestos, seu falar, seu olhar, seu tocar, seu amar; se é que posso chamar tudo isso de sinais.
Talvez você esteja comportando-se igualmente como em outro qualquer ambiente, como a outra qualquer pessoa, a outros componentes; mas, eu não aguento tamanha decência, tamanha gentileza, tamanho jeitinho que você tem de fazer tudo.
e eu fico aqui neste inexplicável complexo.
Não sei se avanço, não sei se fico, se estaciono, se contemplo, se faço tudo e aumento.
O desejo me pune com totalidade de igualdade, e tu, o farás?
Entregar-me a loucura de um gesto pode trazer-me tantas consequências desastrosas e destruidoras que prefiro simplesmente, e tão somente, CONTEMPLAR.




N. Ednaldo Oliveira, SDB.
Barbacena/MG, 25 de março de 2011.
* autor desconhecido.

A força de um domingo frio

             Tá chovendo aqui agora. O frio rói o meu corpo feito ácido a matéria desprovida pelo refúgio ao iônio, vem que eu tô sozinho essa hora e esse danado vem, e chega a me apavorar. Parece até tá rindo de mim por estar sozinho em tendora.
             Atormentam-me esses pingos ordenados em ritmos, coreografia ensaiada ao descaso. Tá todo mundo escondido aqui agora. Recolhidos em sinais de união, confundidos sem sinais  nem cordão, recrutados com vontade expandida. Vem comigo atravessar o andar, onde o parar é encontrar motivos e retícios. Vem comigo.
            Tá tão escuro aqui agora. é nessas horas que a ferida mais aperta, chega até sangrar; ele acalma mesmo quando tudo então parece apuro. E eu fico quieto, tremendo; a procura de um blusão que me atire aos teus hormônios.
            Tá tudo tão confuso aqui agora. E eu não distingo mais nada neste vale; pareço ouvir vozes, perecem zombar até de mim, pareço estar louco, mas lembro de você, pareço estremecer, mas m e aqueço com a ideia. Luta pela aurora.
            Tá chegando luz aqui agora. Vem, vamos embora comigo, vamos construir aquele lugar que pensamos e queríamos. E ai eu não mais teria frio. Vamos ser pra valer onde minhas letras já habitam. Tá tudo confuso aqui agora. Não entendo como queres continuar na noite fria quando podíamos ser ou ter, porque o medo? Estamos circulando em meio ás penas fumaçantes conquistados em honomastos.


N. Ednaldo Oliveira, SDB.
Jaboatão dos Guararapes/PE, 15 de junho de 2010.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

PRINCIPAIS ASPECTOS DA EXORTAÇÃO PÓS-SINODAL VERBUM DOMINI DO SANTO PADRE O PAPA BENTO XVI


Ednaldo Oliveira
[1]

“... Uma nova estação de maior amor pela Sagrada Escritura da parte de todos os membros do povo de Deus, de modo que, a partir da leitura orante e fiel ao tempo se aprofundem a ligação com a própria pessoa de Jesus.” [2]

INTRODUÇÃO

            A Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, aconteceu no Vaticano de 05 a 26 de Outubro de 2008, teve como o tema: A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Foi uma experiência profunda de encontro com Cristo.
            Com esta exortação apostólica pós-sinodal, o Santo Padre acolheu de bom grado o pedido que fizeram os Padres de dar a conhecer a todo o povo de Deus a riqueza surgida naquela reunião Vaticana e as indicações emanadas do trabalho comum.[3]
            Ele indica aqui algumas linhas fundamentais para uma redescoberta, na vida da Igreja, da Palavra divina, fonte de constante renovação, com a esperança de que a mesma se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial.
            Trataremos aqui de um texto admirável que nos dá uma síntese de toda a fé cristã, que nos dá a conhecer o fundamento da nossa vida: O VERBO.

1.0  .  VERBUM DEI
   O DEUS QUE FALA
           
“Portanto, exorto todos os fiéis a redescobrirem o encontro pessoal com a Palavra de Deus na comunhão eclesial, pessoal e comunitária com Cristo; Verbo da vida que se torna Divino.” [4]
           
É marcante a palavra introdutória do Santo Padre. As palavras por ele usadas dão um tom de movimento a toda a ação e motivação do documento. Sua alegria em estar junto aos Padres sinodais e, uma das prioridades do Sínodo: “reabrir no homem atual o acesso a Deus que fala e nos comunica seu Amor.”
            O desejo ardente de que Deus fale e responda as nossas perguntas. As presenças de um rabino e do Patriarca Ecumênico de Constantinopla deram aos pastores de todas as partes do mundo ali presentes, uma profunda gratidão e a constatação de que na Igreja há um novo Pentecoste também hoje, ou seja, que ela fala em muitas línguas, e isto não só no sentido externo de estarem nela representadas todas as línguas do mundo mas também, e mais profundamente, no sentido de que nelas estão presentes os variados modos de experiência de Deus, a riqueza das culturas; e só assim se manifesta a vastidão da existência humana a partir da vastidão da Palavra de Deus.[5]
            Sobre as diversas modalidades de com que usamos a expressão Palavra de Deus; os Padres sinodais acenam para uma sinfonia de palavras, de uma palavra única que se exprime de diversos modos: Um cântico a diversas vozes[6] que não faz de nossa religião uma religião do livro, mas a religião da Palavra de Deus, o Verbo encarnado e vivo. [7] A escuta da Palavra de Deus leva-nos em primeiro lugar a prezar a exigência de viver segundo a lei “escrita do coração”, isso nos dá, por meio da graça, a participação na vida divina. O realismo da Palavra de Deus nos leva a mudar nosso conceito de realismo: realismo é quem reconhece o fundamento de tudo no Verbo de Deus; a ceia criptológica mostra como o Senhor abreviou a sua Palavra, o próprio filho é a Palavra, é o logos: a Palavra eterna fez-se criança para que nós a entendêssemos. Agora ela tem um rosto, uma voz e por isso podemos ver, Jesus de Nazaré.[8]
            O sínodo também recomendou que ajudassem os fiéis a bem distinguir a Palavra de Deus das tantas revelações privadas, cujo papel não é completar a revelação definitiva de Deus, mas ajuda a vivê-la mais plenamente.

1.1  .  A PALAVRA DE DEUS E O ESPÍRITO SANTO

A Palavra indica a presença do Espírito Santo que faz a comunicação entre o Pai e o Filho. Ele nos indica sua presença na história da salvação e particularmente na vida de Jesus. Ele é o protagonista da encarnação do Verbo, do inicio da vida pública, do batismo e de todo o processo da missão do Cristo. Olhar para o paraclito nesta dimensão nos remete aos nossos pais na fé, o percurso que eles fizeram durante séculos de escravidão, não sozinhos, mas sempre com a atuação daquele que permanecia fiel em toda aquela história.
            A culminância disso tudo, que nós já conhecemos e comungamos a concretização em Jesus Cristo, é o nosso Deus na permanência de sua fidelidade. Concretizar a história não põe nela um ponto final, pelo contrário, a continuidade disso tudo dá-nos lugar neste contexto, atuante até.  Em toda a história da Igreja, em seu nascimento, em seus momentos mais oscilantes, nos momentos críticos e nos mais abundantes, ele sempre esteve presente. É o povo de Deus á caminho. É o Espírito que nos espera ansioso e quer ardentemente (respeitando nossa liberdade) que nos tornemos iguais, seres divinos. É a continuidade do movimento.